O melhor café
Na apresentação do novo óculos inteligente de 2026 a apresentadora pediu um café.
Quero propor que nós rodeamos o “café” - entre aspas, mas não muitas, e explico melhor.
O que acontecerá na apresentação anual do Google de 2040?
Minha tese é que pediremos - de ainda outra maneira - um café.
Um chá. Um biscoito.
Mas posso explicar melhor aquilo que já deve estar se desenhando.
Os exemplos das apresentações de tecnologia criam maneiras automatizadas de fazer aquilo que não conseguimos (ainda?) automatizar.
O que não conseguimos (ainda) automatizar?
Ingerir o café. Garganta adentro. O chá, o biscoito.
Mas podemos apenas pensar em pedir. Minha inteligência artificial conversa com a inteligência artificial da cafeteria. Um robô preparando café. Outros me trazem o café.
O que sobra?
O líquido aquecido escorrendo em minha garganta.
O problema das empresas de tecnologia são os humanos que, ainda necessários, precisam ficar horas racionalizando e horas focados em lógica e algoritmos (isso vai passar com a inteligência artificial substituindo esse nicho de trabalho humano).
Esse perfil humano racional, que todos nós temos em potencial, acaba destruindo a interação entre o cliente humano e o atendente do bar sem se dar conta que raramente alguém quer só um café - o líquido morno escorrendo pela garganta.
O que seria do mundo se as empresas de tecnologia “tornassem eficientes” as “necessidades” humanas.
O que uma empresa de tecnologia acha que nós precisamos?
Não me refiro à necessidade de lucro, ainda. Sei que cada empresa foca em caixa positivo todo mês. Na melhor das intenções, para atender necessidades humanas, “o que eu invento para os próximos trimestres”?
Quando essa questão passa por humanos hiper racionais, sobra pouco além do café escorrendo pela garganta, de humano, no mundo.
É uma simplificação brutal - como um desenho de criança - das “necessidades” humanas.
Mas mesmo que chamemos os bagunceiros da sala, os artistas, os bêbados, os poetas, atiro logo o contraponto, quais as “necessidades” humanas?
O que o Google deveria planejar para os próximos trimestres? Ou deveríamos banir a tecnologia (tchau, Google?).
Já escrevi, e resumo, que se banirmos a tecnologia, poderíamos acabar até mesmo com o chinelo, uma incrível invenção - tecnologia não é só robô.
Ou o chinelo podemos manter?
Se podemos manter o chinelo, o que mais podemos “excepcionalmente” manter? O isqueiro? Roupas?
O perigo é chegar, de novo, nas apresentações de cafés sendo solicitados de IA para IA.
Sabemos onde parar?
Sabemos, proponho. Já paramos: as empresas de tecnologia não conseguem largar o café!
Orbitam em torno de como pedir o café.
O café é nossa âncora.
O café é mais do que o líquido morno garganta adentro.
O café é escolhido nas apresentações por representar carinho, calor, amor.
Orbitamos em torno de como solicitar
Amor.
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