Casas Vazias
Tirar férias fora do período de férias escolares tem nos levado a visitar amigos, uma das maravilhas da humanidade.
Com heróicas exceções, pulamos de uma casa vazia para outra casa vazia. Somos muito bem recebidos, mas geralmente ficamos com a case como companhia, nem tanto as pessoas.
A noite o cansaço se prepara para dormir e de manhã o cronômetro aperta para chegar - em algum lugar - no horário.
Em nosso condomínio tudo se confirma: apenas idosos, bem idosos, circulam entre a manhã apressada e o cansaço da noite.
Onde estão as pessoas?
Têm compromissos. Provas, cronogramas, carreiras, vestibular. Onde estão as crianças? Os adultos?
Não estão fazendo nada.
É cada vez mais proibido fazer nada?
O tempo para filosofar é quase nulo, entre compromissos,.contas, testes, provas.
Queremos não pensar?
Ou chegamos a isso e não sabemos bem sair?
A hipótese das “amoreiras e parques de plástico”:
Tendemos a comer todo açúcar que encontramos porque antigamente era raro encontrar frutas maduras no pé. Quando encontrávamos comemos tudo demoravamos um tempão para poder fazer de novo. A indústria aprendeu o mecanismo E agora temos “amoreiras maduras” todo dia toda hora em toda esquina. E comemos tudo pois nosso padrão de comportamento demora milhares de anos para mudar. E pagamos.
Idem para parques. Antigamente brincar era grátis. Hoje custa r$ 60 meia hora no shopping. Se dois ou três pais deixarem crianças brincando nos corredores do shopping ficam arde O que que vocês estão fazendo?
Então estamos cobrando por tudo que era livre ou pelo menos coisas importantes como brincar e encontrar frutas maduras.
Estamos desfazendo a natureza e cobrando para simulá-la.
É claro que se precisamos pagar precisamos trabalhar.
Então fica todo mundo trabalhando o dia inteiro para pagar por um pouco de algo que era grátis antigamente.
Casas vazias.
Quais os erros da hipótese?
Essa minha hipótese é muito rudimentar ainda, Registro para poder melhorar criticar corrigir. Comente, me ajude a corrigir, descartar, repensar.
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